terça-feira, 8 de setembro de 2009

começo, meio e fim


Na minha sétima série, o professor de português nos pediu pra fazer uma redação com tema livre. Lembro-me que foi a minha primeira redação-emoção, pois foi ali que joguei diversas palavras que carregavam sentimentos. Quer dizer, não posso dizer que foi a primeira redação, pois anteriormente eu já fazia pequenas cartinhas com palavras dirigidas a minha mãe, onde, indiscutivelmente, já levavam consigo sentimentos à beça. Voltando a redação do professor de português da sétima série... Ele nos deu tema livre. OK. Cheguei em casa, super empolgado, e fui pensar em qual tema faria. Pensei em drogas, violência, mundo globalizado, educação... Enfim, todos aqueles clichês-chatos de colégio. Daí, por acaso, comecei a escutar Roupa Nova. E em que música em especial eu paro e passo a ouvir detalhadamente a letra? Começo, meio e fim. Tá ai - pensei. Meu tema vai ser "Vida: começo, meio e fim". Escutei a música 2 vezes e me pus a pensar sobre o inicio, o desenvolver e a conclusão de uma vida. Eu, inspirado na música, comecei a redigir me baseando na música. A esticava de uma maneira que pude arrancar cada pedaço de letra e transformar em uma frase bem 'emoção'. Fiz o rascunho. Fiz o bonitinho pra entregar no dia seguinte. Li o que escrevi e me achei. Entrego ao professor. (...) Na aula seguinte ele devolve. Levo 7,0 pontos na redação. Sem erros graves, só alguns de acentuação - como ocorre hoje em dia - Isso é um absurdo, a redação estava linda e fuderasa. Questiono o professor o motivo da nota. Então ele me diz que não acreditava que fora eu que havia escrito a redação. Pois eu era um aluno de sétima série. "Mas professor eu tenho como provar que fui eu, tenho rascunhos em casa, eu mostro..." Não adiantou nada. Ao decorrer da vida, eu sempre fui tímido pra escrever em uma redação. Hoje eu (ainda) tenho medo de mostrar muita coisa e alguém dizer: 'Tenho certeza que não foi você quem escreveu isso, afinal você é só um menino'. A realidade em que vivemos não nos permite acreditar na capacidade da razão das crianças, do potencial. E coisas como essa mudam a vida de alguém. Apesar de pensar muito antes de escrever, eu escrevo. Não adianta X ou Y dizer que essas não são minhas palavras. No meu, em mim, eu acredito. É autêntico. E o resto que exploda...

3 opiniões:

Unknown disse...

é por isso que eu digo, não temos que provar nada pra ninguém, vc sabe do seu potencial, vc sabe do seu limite, suas expectativas e suas emoções pra escrever tanto a ponto de alguém ñ acreditar que foi vc mesmo. Ia dizer aqui que não deixe de escrever, de ter medo de postar, principalmente, tem gente que gosta, e acredita que foi você, eu sou um exemplo, haha!!

Diana Mourinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Diana Mourinha disse...

Adoro os seus textos!! Muito bom o post; gostei tanto que fui chamar o Esdras pra ler também... porque é isso que faço quando me deparo com um texto bom: leio, releio, depois mostro aos outros, compartilho...
E ainda por cima me bateu uma indignação contra essa anta que insiste em ser chamado de professor... tem tantas figuras dessas por aí...
Pronto. Vou pro blog, e, se vc me permite, vou comentar sobre essa história que vc contou. Posts de comentários precisam ser curtos, eu quero escrever sem limite de caracteres... Muahahahah...