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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Para sempre Alice

Significado do nome ALICE:

1. Verdadeira, justa, a defensora.
2. Você está sempre pronta a se aventurar, muito cheia de energia, possui uma personalidade ativa e decidida. Não vê graça numa vida sem desafios. E por ser uma líder por natureza, atrai as outras pessoas com seu entusiasmo. Mas é importante tomar cuidado e não se tornar uma pessoa teimosa.

Talvez meu amor por Alice seja esse: Identificação. Faço um resumo: Justa, aventureira e teimosa. Isso basta para ser Alice, seja No país das maravilhas, Através do espelho ou em Para sempre Alice. Ela é ímpar e no plural, está presente em todas, apenas se mostra de maneiras diferentes. E todas as histórias que contém Alice, aparecem com um singular: Arriscar-se.



Alice no país das maravilhas e Alice através do espelho. Não tive oportunidade de ler o livro original de Lewis Carroll, peguei apenas na edição comentada, que pra mim, só as ilustrações bastam. Os comentários são bem profundos e mostram a história com uma semiótica, se assim posso dizer, interpretando trocadilhos e desvendando enigmas. E se formos falar da Alice presente em nós, digo que sempre existem os autores da vida que estão tentando nos decifrar. O que, confesso, é bem trabalhoso.


Então Alice no país das maravilhas se transforma em filme. A Disney adapta o livro e o torna um clássico da literatura infantil, o que muitos duvidam, visto que em No país das maravilhas há muita psicologia adulta. E vejamos, até que eles pegaram leve com o desenho, e embora permaneçam os traços do livro, é impossível seguir a risca os pensamentos e ‘alucinações’ de Carroll. Já Tim Burton, com efeitos obscuros e avançados possíveis hoje em dia, transformou o clássico infantil em uma história quase que sombria, com mais ação e voltada para o público adulto. Se as críticas dizem que Alice, por Burton, foi um marco (também por ser em 3D), quem sou pra dizer o contrário? Na verdade eu afirmo: Tentador.


A HBO lançou, em 2008, a série Alice que continha traços, de fato, do livro de Carroll. Alguns episódios chegaram a ter o mesmo nome dos capítulos e os personagens estavam presentes também, só que de outras formas. Diferente do clássico, Alice era adulta, prestes a casar e estava para desvendar São Paulo. Para ela era mais do que conhecer, era se arriscar em um mundo jamais visto, assim como no país das maravilhas. Alice passou a ver São Paulo como um verdadeiro paraíso, repleto de possibilidades e reinvenções, mas correu graves riscos também. Deveria não dizer isso aqui, mas de todas, Alice na HBO foi a qual me apaixonei mais. Ela é aventureira, como as outras, porém sua presença se faz mais verdadeira, talvez por se passar na cidade grande, com cenas que já vivi e com um roteiro e redação, que aqui pra nós, aprendi muito com as palavras ditas. Não tem como fazer o mundo parar de girar (...) tanta coisa que eu queria dizer pra tanta gente e não disse (...) a vida não é fácil, mas é uma só e o único jeito que a gente tem é enfiar o pé no acelerador e sair vivendo.Trechos


Outra série que me chamou atenção, e que não sai por baixo, é Alice pela SYFY. Na versão do canal, Alice é morena, mais velha e o mundo de fantasia é misturado com a ficção cientifica. Dizem que a história original perdeu um pouco do sentido, até pelas cenas ‘toscas’ e clichês, mas não seria tão bom se fosse igual. A série teve dois episódios, apenas, porém longos. O que chama muita atenção, além da cor do cabelo e do modernismo, é que nessa versão uniram as duas histórias de Lewis Carroll: No País das Maravilhas e Através do espelho - Finalmente lembraram-se do espelho -. E Alice continua sendo Alice: Independente, perdida e impetuosa.


A Alice mais conflituosa que conheci, sem dúvidas, foi em A Casa de Alice. Assim como o livro de Lisa Genova (que falarei logo abaixo), o filme de Chico Texeira é repleto de dramas e sofrimentos. O filme nos permite entrar na casa de Alice, viver e ver o mundo por Alice. Vemos agora aquele mundo de aventuras e teimosia por um outro lado, observamos os personagens com pré-julgamentos e ao final percebemos o quanto eles já estão condenados. Alice é indecisa, preocupada e cheia de segredos assim com os outros personagens e isso que torna a história única, restando apenas reconhecer os defeitos e dar lugar a sinceridade imposta. Ah, Alice... sempre acreditei na sua verdade.



Alice não parou na Disney, nem nas telas. Com o passar dos anos os autores da vida perceberam que Alice sempre esteve presente, transcrevendo isso, por exemplo, em Para Sempre Alice, de Lisa Genova. Um livro em que Alice é uma renomeada psicóloga e que se descobre com Alzheimer, mudando seu relacionamento com o mundo e as pessoas a sua volta. E pode não parecer com a Alice nos país das maravilhas, mas Lisa escreve: “E, quando não há mais certezas possí­veis, só o amor sabe o que é verdade. De alguma forma e apesar de tudo, Alice é para sempre.”


Então eu percebo: Alice Zanetti, Alice Liddell, Alice Hamilton e Alice Howland estão ligadas, por seus nomes e pela certeza de que Alice sempre será Alice. Acredito que ainda verei muitas Alices, em diferentes histórias, mas com a mesma vontade de se arriscar. E caso você não conheça alguma dessas histórias, eu super indico, seja o livro ou filme, você se apaixonará por Alice.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O Homem no centro


(Páginas 77-78.)

Por volta de 450 a.C., Atenas transformou-se no centro cultural do mundo grego. A partir dessa época, a filosofia tomou um novo rumo.

Os filósofos naturais eram sobretudo pesquisadores naturais. Eles ocupam, portanto, um lugar muito importante na história da ciência. Depois deles, o centro de interesse em Atenas se deslocou para o homem e para sua posição na sociedade.

Em Atenas desenvolvia-se pouco a pouco uma democracia com assembléias populares e tribunais. Um pressuposto para a democracia era o fato de que as pessoas recebiam educação suficiente para poder participar dos processos democráticos. Em nossos dias, podemos ver o quanto uma jovem democracia precisa de um povo esclarecido. Entre os atenienses era particularmente importante dominar a arte de bem falar, a retórica.

Não demorou para que um grupo de mestres e filósofos itinerantes, vindos das colônias gregas, se concentrasse em Atenas. Eles se autodenominavam sofistas, eram pessoas estudadas, versadas em determinado assunto, e ganhavam a vida em Atenas ensinando os cidadãos.

Os sofistas tinham um importante elemento comum com os filósofos naturais: eles também viam com olhos muito críticos a mitologia tradicional. Ao mesmo tempo, porém, os sofistas simplesmente rejeitavam tudo o que consideravam especulação filosófica desnecessária. Para eles, ainda que houvesse respostas para muitas questões filosóficas, ninguém jamais seria capaz de encontrar respostas realmente seguras e definitivas para os mistérios da natureza e do universo. Este ponto de vista é conhecido na filosofia como ceticismo.

Mas ainda que não possamos encontrar uma resposta para todos os mistérios da natureza, sabemos que somos pessoas e que precisamos aprender a conviver umas com as outras. Os sofistas resolveram, então, dedicar-se à questão do homem e de seu lugar na sociedade.

O homem é a medida de todas as coisas”, disse o sofista Protágoras (c. 487-420 a.C.). Com isto ele queria dizer que o certo e o errado, o bem e o mal sempre tinham de ser avaliados em relação às necessidades do homem. Quando perguntado se acreditava nos deuses gregos, Protágoras dizia: “Dos deuses nada posso dizer de concreto […] pois nesse particular são muitas as coisas que ocultam o saber: a obscuridade do assunto e a brevidade da vida humana”. Chamamos de agnóstico aquele que não é capaz de afirmar categoricamente se existe ou não um Deus.

Via de regra, os sofistas eram homens que tinham feito longas viagens e, por isso mesmo, tinham conhecido diferentes sistemas de governo. Usos, costumes e leis das cidades-Estados podiam variar enormemente. Sob este pano de fundo, os sofistas iniciaram em Atenas uma discussão sobre o que seria natural e o que seria criado pela sociedade. Com isto, eles criaram na cidade-Estado de Atenas as bases para uma crítica social.

Eles puderam mostrar, por exemplo, que uma expressão como “sentimento natural de pudor” era algo que não se sustentava. Pois se o pudor e a vergonha fossem uma coisa natural, então eles tinham de ser características inatas. Mas será que tais características são inatas, Sofia, ou será que a sociedade as criou? Para pessoas que já viajaram muito, a resposta simplesmente seria a seguinte: o medo de se mostrar despido a outras pessoas não é uma coisa natural ou inata. O fato de se ter ou não vergonha disso está ligado sobretudo aos usos e costumes de uma sociedade.

Você pode imaginar como foram inflamadas as discussões que os sofistas incitaram na sociedade de Atenas quando afirmaram que não havia normas absolutas para o certo e o errado. Ao contrário deles, Sócrates tentou mostrar que algumas normas são realmente absolutas e de validade universal.