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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
Para sempre Alice
Talvez meu amor por Alice seja esse: Identificação. Faço um resumo: Justa, aventureira e teimosa. Isso basta para ser Alice, seja No país das maravilhas, Através do espelho ou em Para sempre Alice. Ela é ímpar e no plural, está presente em todas, apenas se mostra de maneiras diferentes. E todas as histórias que contém Alice, aparecem com um singular: Arriscar-se.
Alice no país das maravilhas e Alice através do espelho. Não tive oportunidade de ler o livro original de Lewis Carroll, peguei apenas na edição comentada, que pra mim, só as ilustrações bastam. Os comentários são bem profundos e mostram a história com uma semiótica, se assim posso dizer, interpretando trocadilhos e desvendando enigmas. E se formos falar da Alice presente em nós, digo que sempre existem os autores da vida que estão tentando nos decifrar. O que, confesso, é bem trabalhoso.
Então Alice no país das maravilhas se transforma em filme. A Disney adapta o livro e o torna um clássico da literatura infantil, o que muitos duvidam, visto que em No país das maravilhas há muita psicologia adulta. E vejamos, até que eles pegaram leve com o desenho, e embora permaneçam os traços do livro, é impossível seguir a risca os pensamentos e ‘alucinações’ de Carroll. Já Tim Burton, com efeitos obscuros e avançados possíveis hoje em dia, transformou o clássico infantil em uma história quase que sombria, com mais ação e voltada para o público adulto. Se as críticas dizem que Alice, por Burton, foi um marco (também por ser em 3D), quem sou pra dizer o contrário? Na verdade eu afirmo: Tentador.

A HBO lançou, em 2008, a série Alice que continha traços, de fato, do livro de Carroll. Alguns episódios chegaram a ter o mesmo nome dos capítulos e os personagens estavam presentes também, só que de outras formas. Diferente do clássico, Alice era adulta, prestes a casar e estava para desvendar São Paulo. Para ela era mais do que conhecer, era se arriscar em um mundo jamais visto, assim como no país das maravilhas. Alice passou a ver São Paulo como um verdadeiro paraíso, repleto de possibilidades e reinvenções, mas correu graves riscos também. Deveria não dizer isso aqui, mas de todas, Alice na HBO foi a qual me apaixonei mais. Ela é aventureira, como as outras, porém sua presença se faz mais verdadeira, talvez por se passar na cidade grande, com cenas que já vivi e com um roteiro e redação, que aqui pra nós, aprendi muito com as palavras ditas. “Não tem como fazer o mundo parar de girar (...) tanta coisa que eu queria dizer pra tanta gente e não disse (...) a vida não é fácil, mas é uma só e o único jeito que a gente tem é enfiar o pé no acelerador e sair vivendo.” Trechos

Outra série que me chamou atenção, e que não sai por baixo, é Alice pela SYFY. Na versão do canal, Alice é morena, mais velha e o mundo de fantasia é misturado com a ficção cientifica. Dizem que a história original perdeu um pouco do sentido, até pelas cenas ‘toscas’ e clichês, mas não seria tão bom se fosse igual. A série teve dois episódios, apenas, porém longos. O que chama muita atenção, além da cor do cabelo e do modernismo, é que nessa versão uniram as duas histórias de Lewis Carroll: No País das Maravilhas e Através do espelho - Finalmente lembraram-se do espelho -. E Alice continua sendo Alice: Independente, perdida e impetuosa.
A Alice mais conflituosa que conheci, sem dúvidas, foi em A Casa de Alice. Assim como o livro de Lisa Genova (que falarei logo abaixo), o filme de Chico Texeira é repleto de dramas e sofrimentos. O filme nos permite entrar na casa de Alice, viver e ver o mundo por Alice. Vemos agora aquele mundo de aventuras e teimosia por um outro lado, observamos os personagens com pré-julgamentos e ao final percebemos o quanto eles já estão condenados. Alice é indecisa, preocupada e cheia de segredos assim com os outros personagens e isso que torna a história única, restando apenas reconhecer os defeitos e dar lugar a sinceridade imposta. Ah, Alice... sempre acreditei na sua verdade.

